sábado, 8 de novembro de 2008

Morte religiosa


A vida de uma pessoa que não é presa em dogmas, é como diria o grande Raul Seixas, uma “metamorfose ambulante”, eu tenho experimentado essa “viagem” comigo mesmo, já deixei muitas crenças para traz, coisas que eu tinha até como um “santinho meu” um “anjo da guarda” e abri mão, sim abri mão porque não posso ser ingênuo comigo mesmo, não posso viver de uma forma medíocre, a maioria das pessoas se contentam em ser enganadas, em viver um “conto de fadas existencial”, eu deixei de crer em religião, e isso em nada envolve minha fé, creio em Jesus e acredito na palavra de Deus, o que mudou em mim foi outra coisa, não me considero mais um “católico”, “evangélico” ou “protestante”, eu me considero um seguidor de Jesus, estou no caminho, estou na verdade, e assim “tenho vida”, descobri a liberdade que é viver em Cristo sem dogmas, preconceitos e imposições religiosas, o cristianismo é apenas um produto humano que desde o inicio já estava destinado ao fracasso, e o “deus” do cristianismo já morreu, a alma humana não pode ser saciada por uma mensagem “religiosa” que só envolve afastamento da vida, que fala contra a ganância mais pelo seu próprio exemplo denuncia a sua falsidade, pois a “igreja” desde sempre buscou ter o poder, quer controlar a vida alheia estabelecendo uma teocracia, e isso não é novidade para nenhum de nós, basta ligar a tv para ver com o que a “igreja” se importa, abaixo ao casamento gay! Abaixo a legalização do aborto! Abaixo a isso, abaixo aquilo! É uma tremenda falta de noção, não percebem que Jesus não nos deu o direito de se meter na vida alheia! Não conseguem ficar simplesmente no evangelho, onde Jesus nunca se colocou em ridículo como a religião se coloca! A verdadeira igreja não é aquela formada por blocos de tijolo e nem pelo poder, a igreja de Deus é a que é feita por gente, por pessoas que tem fé em Jesus e que não acreditam que é por meios “mundanos” que o reino de Deus se manifesta no mundo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Trechos do "O Anticristo" XXXII (Nietzsche)

Achei fascinante a visão de Nietzsche sobre o cristianismo, ele percebeu a instituição "pobre" que ela é, Jesus concerteza não tem nada haver com está instituição humana, Jesus não veio trazer religião para a humanidade e sim vida! saboreie o texto!




Repito que me oponho a todos os esforços para introduzir o fanatismo na figura do Salvador: a própria palavra imperieux, usada por Renan, sozinha é suficiente para anular o tipo. A "Boa Nova" nos diz simplesmente que não existem mais contradições; o reino de Deus pertence às crianças; a fé anunciada aqui não é mais conquistada por lutas – está ao alcance das mãos, existiu desde o princípio, é um tipo de infantilidade que se refugiou no espiritual. Tal puberdade retardada e incompleta dos organismos é familiar aos fisiologistas como sintoma da degeneração. A fé desse tipo não é furiosa, não denuncia, não se defende: não empunha "espada" – não entende como poderia um dia colocar homem contra homem. Não se manifesta através de milagres, recompensas, promessas ou "escrituras": é, do principio ao fim, seu próprio milagre, sua própria recompensa, sua própria promessa, seu próprio "reino de Deus". Essa fé não se formula – simplesmente vive, e assim guarda-se contra fórmulas. Com certeza, a casualidade do ambiente, da formação educacional dá proeminência aos conceitos de certa espécie: no cristianismo primitivo encontramos apenas noções de caráter judaico-semítico (- a de comer e beber em comunhão pertence a esta categoria - uma idéia que, como tudo que é judaico, foi severamente fustigada pela Igreja). Cuidemo-nos para não ver nisso tudo mais que uma linguagem simbólica, uma semântica, uma oportunidade para falar em parábolas. A teoria de que nenhuma palavra deve ser tomada ao pé da letra era um pressuposto para que este Anti-realista pudesse discursar. Colocado entre hindus teria usado os conceitos de Shanhya, e entre chineses os de Lao Tsé - e em ambos os casos isso não faria qualquer diferença a Ele. Tomando uma pequena liberdade no uso das palavras, alguém poderia de fato chamar Jesus de "espírito livre" - não lhe importa o que está estabelecido: a palavra mata, tudo aquilo que é estabelecido mata. A noção de "vida" como uma experiência, como apenas ele a concebe, a seu ver encontra-se em oposição a todo tipo de palavra, fórmula, lei, crença e dogma. Fala apenas de coisas interiores: "vida", ou "verdade", ou "luz", são suas palavras para o mundo interior... XXXIII Em toda a psicologia dos Evangelhos os conceitos de culpa e punição estão ausentes, e o mesmo vale para o de recompensa. O "pecado", que significa tudo aquilo que distancia o homem de Deus, é abolido - essa é precisamente a "Boa Nova". A felicidade eterna não está meramente prometida, nem vinculada a condições: é concebida como a única realidade - todo o restante não são mais que sinais úteis para falar dela. Os resultados de tal ponto de vista projetam-se em um novo estilo de vida, um estilo de vida especialmente evangélico. Não é a "fé" que o distingue do cristão; a distinção se estabelece através da maneira de agir; ele age diferentemente. Não oferece resistência, nem em palavras, nem em seu coração, àqueles que lhe são opositores. Não vê diferença entre estrangeiros e conterrâneos, judeus e pagãos ("próximo", é claro, significa correligionário, judeu). Não se irrita com ninguém, não despreza ninguém. Não apela às cortes de justiça nem se submete às suas decisões ("não prestar juramento". Nunca, quaisquer sejam as circunstâncias, se divorcia de sua esposa, mesmo que possua provas de sua infidelidade. No fundo, tudo isso é um princípio; tudo surge de um instinto. - A vida do salvador foi simplesmente professar essa prática - e também em sua morte... Não precisava mais de qualquer formula ou ritual em suas relações com Deus - nem sequer da oração. Se compreendo alguma coisa sobre esse grande simbolista, é isto: que considerava apenas realidades subjetivas como reais, como "verdades" - que viu todo o resto, todo o natural, temporal, espacial e histórico apenas como símbolos, como material para parábolas. O conceito de "Filho de Deus" não designa uma pessoa concreta na história, um indivíduo isolado e definido, mas um fato "eterno", um símbolo psicológico desvinculado da noção de tempo. O mesmo é válido, no sentido mais elevado, para o Deus desse típico simbolista, para o "reino de Deus" e para a "filiação divina". Nada poderia ser mais acristão que as cruas noções eclesiásticas de um Deus como pessoa, de um "reino de Deus" vindouro, de um "reino dos céus" no além e de um "filho de Deus" como segunda pessoa da Trindade. Isso tudo – perdoem-me a expressão – é como soco no olho (e que olho!) do Evangelho: um desrespeito aos símbolos elevado a um cinismo histórico e mundial... Todavia é suficientemente óbvio o significado dos símbolos "Pai" e "Filho" - não para todos, é claro -: a palavra "Filho" expressa a entrada em um sentimento de transformação de todas as coisas (beatitude); "Pai" expressa esse próprio sentimento - a sensação da eternidade e perfeição. Envergonho-me de lembrar o que a Igreja fez com esse simbolismo: ela não colocou uma história de Anfitrião no limiar da "fé" cristã? E um dogma da "imaculada conceição" ainda por cima?... - Com isso conseguiu apenas macular a concepção... O "reino dos céus" é um estado de espírito - não algo que virá "além do mundo" ou "após a morte". Toda a idéia de morte natural está ausente nos Evangelhos: a morte não é uma ponte, não é uma passagem; está ausente porque pertence a um mundo bastante diferente, um mundo apenas aparente, apenas útil enquanto símbolo. A "hora da morte" não é uma idéia cristã - "horas", tempo, a vida física e suas crises são inexistentes para o mestre da "Boa Nova"... O "reino de Deus" não é uma coisa pela qual os homens aguardam: não teve um ontem nem terá um amanhã, não virá em um "milênio" - é uma experiência do coração, está em toda parte e não está em parte alguma... XXXVI Nós, espíritos livres - nós somos os primeiros a possuir os pré-requisitos para entender o que, por dezenove séculos, permaneceu incompreendido - temos aquele instinto e paixão pela integridade que declara uma guerra muito mais ferrenha contra a "sagrada mentira" que contra todas as outras mentiras... A humanidade estava indizivelmente distante de nossa benevolente e cautelosa neutralidade, de nossa disciplina de espírito que sozinha torna possível solucionar coisas tão estranhas e sutis: o que os homens sempre buscaram, com descarado egoísmo, foi sua própria vantagem; criaram a Igreja a partir da negação dos Evangelhos... Todos que procurassem por sinais de uma divindade irônica que maneja os cordéis por detrás do grande drama da existência não encontrariam pequena evidência neste estupendo ponto de interrogação chamado cristianismo. A humanidade ajoelha-se exatamente perante a antítese do que era a origem, o significado e a lei dos Evangelhos - santificaram no conceito de "Igreja" justamente o que o "portador da Boa Nova" considerava abaixo si, atrás de si - seria vão procurar por um melhor exemplo de ironia histórico e mundial. XXXVII Nossa época orgulha-se de seu senso histórico: como, então, se permitiu acreditar que a grosseira fábula do fazedor de milagres e Salvador constitui as origens do cristianismo - e que tudo nele de espiritual e simbólico surgiu apenas posteriormente? Muito pelo contrário, toda a história do cristianismo - da morte na cruz em diante - é a história de uma incompreensão progressivamente grosseira de um simbolismo original. Com toda a difusão do cristianismo entre massas mais vastas e incultas, até mesmo incapazes de compreender os princípios dos quais nasceu, surgiu a necessidade de torna-lo mais vulgar e bárbaro - absorveu os ensinamentos e rituais de todos cultos subterrâneos do imperium Romanum e as absurdidades engendradas por todo tipo de raciocínio doentio. Era o destino do cristianismo que sua fé se tornasse tão doentia, baixa e vulgar quanto as necessidades doentias, baixas e vulgares que tinha de administrar. O barbarismo mórbido finalmente ascende ao poder com a Igreja – a Igreja, esta encarnação da hostilidade mortal contra toda a honestidade, toda grandeza de alma, toda disciplina do espírito, toda humanidade espontânea e bondosa. - Valores cristãos - valores nobres: apenas nós, espíritos livres, restabelecemos a maior das antíteses em matéria de valores!... XXXVIII Não posso, neste momento, evitar um suspiro. Há dias em que sou visitado por um sentimento mais negro que a mais negra melancolia - o desprezo pelos homens. Que não haja qualquer dúvida sobre o que desprezo, sobre quem desprezo: é o homem de hoje, do qual desgraçadamente sou contemporâneo. O homem de hoje - seu hálito podre me asfixia!... Em relação ao passado, como todos estudiosos, tenho muita tolerância, ou seja, um generoso autocontrole: com uma melancólica precaução atravesso milênios inteiros de mundo-manicômio, chamem isso de "cristianismo", "fé cristã" ou "Igreja cristã", como desejaram - tomo o cuidado de não responsabilizar a humanidade por sua demência.

sábado, 1 de novembro de 2008

A ciência do palavrão


Os xingamentos mostram a evolução da linguagem, das sociedades e, de quebra, ajudam a desvendar o cérebro.
Texto Alezandre Versignasi e Pedro Burgos




Por que diabos merda é palavrão? Aliás, por que a palavra diabos, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como filha-da -puta, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem. Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões moram nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá. E sai de vez em quando, na forma de palavrões. A medicina ajuda a entender isso. Veja o caso da síndrome de Tourette. Essa doença acomete pessoas que sofreram danos no gânglio basal, a parte do cérebro cuja função é manter o sistema límbico comportado. Elas passam a ter tiques nervosos o tempo todo. E, às vezes, mais do que isso. De 10 a 20% dos pacientes ficam com uma característica inusitada: não param de falar palavrão. Isso mostra que, sem o gânglio basal para tomar conta, o sistema límbico se solta todo. E os palavrões saem como se fossem tiques nervosos na forma de palavras. Mas você não precisa ter lesão nenhuma para se descontrolar de vez em quando, claro. Como dissemos, basta tropeçar numa pedra para que ela corra o sério risco de ouvir um desaforo. Se dependesse do pensamento consciente, ninguém nunca ofenderia uma coisa inanimada. Mas o sistema límbico é burro. Burro e sincero. Justamente por não pensar, quando essa parte animal do cérebro fala, ela consegue traduzir certas emoções com uma intensidade inigualável. Os palavrões, por esse ponto de vista, são poesia no sentido mais profundo da palavra. Duvida? Então pense em uma palavra forte. Paixão, por exemplo. Ela tem substância, sim, mas está longe de transmitir toda a carga emocional da paixão propriamente dita. Mas com um grande e gordo puta que o pariu a história é outra. Ele vai direto ao ponto, transmite a emoção do sistema límbico de quem fala direto para o de quem ouve. Por isso mesmo, alguns pesquisadores consideram o palavrão até mais sofisticado que a linguagem comum.

O Direito ao Palavrão


Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole."Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. - A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorqüível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo - "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!".

O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" -presidente de porra nenhuma.Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.E o que dizer de nosso famoso"vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!".Você conhece definição mais exata,pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo... Pois se a língua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. "Nem fodendo..."(Autor desconhecido)
...QUE É, AFINAL, a vida humana? Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesmo; cada qual representa o seu papel sempre mascarado, pelo menos enquanto o chefe dos comediantes não o faz descer do palco. O mesmo ator aparece sob várias figuras, e o que estava sentado no trono, soberbamente vestido, surge, em seguida, disfarçado de escravo, coberto por miseráveis andrajos. Para dizer a verdade, tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência, mas o fato é que esta grande e longa comédia não pode ser representada de outra forma.



Erasmo de Rotterdam em Elogio da Loucura.